quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mensagem do Bispo Eleito de Coimbra à Diocese

Mensagem do Bispo Eleito de Coimbra
SAUDAÇÃO AO POVO DE DEUS DA DIOCESE DE COIMBRA

Santo Padre Bento XVI acaba de me nomear bispo de Coimbra. A Sua Santidade o Papa asseguro a comunhão no ministério e a cooperação fiel em ordem à construção da Igreja de Jesus Cristo, de cuja unidade é o sinal visível, e peço que me confirme na fé católica e apostólica.

Nestas circunstâncias muito especiais, quero dirigir-vos uma saudação fraterna e manifestar a minha plena disponibilidade para ir ao vosso encontro na realização da missão que a Igreja de Deus me confia.

Nesta saudação incluo todos os membros da porção do Povo de Deus, que é a diocese de Coimbra: os presbíteros, diáconos e seminaristas; os religiosos, religiosas e membros de institutos seculares; a grande multidão de leigos de todas as condições.

Dirijo-vos uma palavra especial, a vós, jovens, rapazes e raparigas, cheios de sonhos de uma vida grande e bela, que hoje encontrais tantos obstáculos à vossa realização. Convido-vos a procurar em Cristo, o vosso companheiro de todas as horas, a alegria e a esperança que buscais. Espero encontrar-vos frequentemente e dedicar-vos parte significativa da minha acção pastoral.

Ao senhor D. Albino Cleto e ao senhor D. João Alves envio um forte abraço, sinal da grande admiração pelo testemunho de fé e de amor à Igreja, que têm dado. Reconheço o trabalho que realizaram nos longos anos de ministério e agradeço a amizade que têm manifestado para comigo.

Respeitosamente saúdo as autoridades autárquicas, académicas, civis e militares presentes na área da diocese de Coimbra, augurando a mais frutuosa mútua colaboração. Cumprimento afectuosamente todos os membros das outras Igrejas Cristãs, os que professam outras religiões e todos os homens e mulheres de boa vontade.

Quando penso no convite que a Igreja acaba de me fazer e na aceitação que manifestei, volto sempre às convicções, já remotas, que me fizeram avançar no caminho da vida cristã e da vocação sacerdotal. Recordo que nos anos da juventude me deixei seduzir por Cristo, considerei que Ele era o “tudo” da minha vida e teria em mim o primeiro lugar. Desejei, desde então, estar disponível para servir onde a Igreja precisasse de mim. Procurando ser fiel ao Deus que me amou e que agora me chamou a um novo serviço, consciente das limitações e dificuldades, canto agradecido os seus louvores.

À Igreja de Coimbra une-me uma já longa ligação, desde o tempo em que aí fiz a minha formação teológica, até aos anos mais recentes de docência no Instituto Superior de Estudos Teológicos. Ao olhar para a Igreja que sou chamado a servir, gostaria de vos dizer que, a partir da fé na presença operante do Espírito Santo, vislumbro nela uma imensidão de potencialidades. Temos a graça de viver num tempo de grandes desafios à fé cristã e ao testemunho vivo de todos os membros da Igreja. Vejo diante de nós os desafios da nova evangelização, que nos pedem um novo entusiasmo e um novo fascínio pela pessoa de Jesus Cristo, o Evangelho que acolhemos e anunciamos. Confio no vigor da vossa fé, no vosso amor a Cristo e à sua Igreja; em comunhão uns com os outros e com Deus, podemos dar ao mundo novas sementes de esperança.

Pedi a Deus por mim, para que a minha presença no meio de vós constitua um serviço à fortaleza da vossa fé, um incentivo aos laços de comunhão eclesial.

Aqui, na Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, confio a Nossa Senhora a vida e o ministério, nesta nova etapa da minha entrega à Igreja. Peço-lhe que interceda por mim e por vós, junto do Deus, Santíssima Trindade, que adoramos.

Santuário de Fátima, 28 de Abril de 2011
P. Virgílio do Nascimento Antunes

terça-feira, 26 de abril de 2011

Homilia de Domingo de Páscoa - 2011

DOMINGO DE PÁSCOA
(24.04.2011)


«Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos» (Jo. 20, 9)


Com esta expressão, retirada do final do Evangelho de hoje, nós somos colocados diante do acontecimento inicialmente ininteligível para os discípulos, em toda a sua profundidade e sentido existencial. Só progressivamente eles vão entendendo o significado da ressurreição, particularmente à medida que fazem a experiência do Ressuscitado.
Mas também nós, hoje, podemos permanecer ainda numa atitude semelhante à experiência inicial dos apóstolos: sem compreender o significado profundo da ressurreição de Jesus e as suas implicações na nossa existência humana e cristã. A experiência do túmulo vazio continua a ser tão inquietante, que coloca uns numa compreensão meramente tradicional de tal acontecimento; e a outros conduz a uma negação, prática ou teórica, de tal possibilidade. Não é raro, mesmo entre cristãos, que a compreensão deste acontecimento fundante da fé cristã se esfume no seu significado profundo, quantas vezes confundido com outras perspectivas de afirmação do sentido da vida e do sentido da morte.
Ora, a experiência de Cristo ressuscitado está no centro da nossa fé de cristãos! Como diz o Papa Bento XVI, na sua obra mais recente Jesus de Nazaré - num comentário à expressão da Carta aos Coríntios, «se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã também a vossa fé» (1 Cor. 15, 14) - «com estas palavras, São Paulo põe drasticamente em relevo a importância que a fé na ressurreição de Jesus tem para a mensagem cristã no seu conjunto: ela é o seu fundamento» . E, neste sentido, continua ainda o Papa: «a fé cristã fica de pé ou cai com a verdade do testemunho segundo o qual Cristo ressuscitou dos mortos» .
É com esta preocupação que, por breves instantes, consideraremos a nossa sensibilidade humana ou sociológica da ressurreição, para logo depois afirmarmos os fundamentos para a sua compreensão e consequências na vida da Igreja e de cada cristão.


1. Perspectiva humana /sociológica da Ressurreição.


A afirmação da ressurreição de Cristo é um facto que aprendemos na catequese; que assumimos como adquirido, porquanto afirmado por aquele ou aqueles em que quem reconhecíamos autoridade; ou simplesmente porque sentimos necessidade de dar resposta, ainda que por vezes pouco clarividente, aos limites da nossa necessidade humana, particularmente quando nos confrontamos com as «sombras» da vida, como são a doença e a morte. Todavia, não raro, permanecemos numa atitude de infância espiritual, de mera necessidade, ou de permanente questionamento. Não é raro, ainda, encontrarmos cristãos que, perante a dificuldade da fé na ressurreição, a negam como esperança definitiva para a sua vida humana e plenitude do dom que já nos foi oferecido pelo baptismo. É neste contexto que tomamos, também nós, a mesma expressão de São Paulo, na Carta aos Coríntios: «se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé» (1 Cor. 15, 14). Mas é ainda o apóstolo, de modo determinado, quem contraria tal afirmação, revelando-nos o facto radicalmente novo: «Cristo ressuscitou dos mortos como primícias [o primeiro] dos que morreram» (1 Cor. 15, 20).
E se é certo que vemos ainda como num espelho, e só depois veremos face a face, como afirma São Paulo, a verdade é que o próprio Cristo declarou bem-aventurados os que acreditam sem terem visto (cf. Jo. 20, 29).


2. A Ressurreição como acontecimento fundante.


A ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé, como afirmámos já. E o Catecismo da Igreja Católica diz-nos que «ser testemunha de Cristo é ser “testemunha da sua ressurreição”» (CIC. 995), numa alusão aos Actos dos Apóstolos.
Mas o que é a ressurreição? Detenhamo-nos no pensamento do Papa Bento XVI e com ele compreendamos o mistério que hoje celebramos. Diz-nos o Papa que «a ressurreição de Jesus foi a evasão para um género de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso – uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem. Por isso, a ressurreição de Jesus não é um acontecimento singular que possamos menosprezar e que pertença apenas ao passado, mas sim uma espécie de “mutação decisiva” (expressão equívoca, mas usada aqui analogicamente), um salto de qualidade» . Para logo acrescentar: «na ressurreição de Jesus, foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo género de futuro para os homens» .
Mesmo face à ciência, que não raro tende a negar o facto da ressurreição, o Papa responde com esta admirável clarividência: «naturalmente que não pode haver contradição com aquilo que constitui um claro dado científico. É certo que, nos testemunhos sobre a ressurreição, se fala de algo que não ocorre no mundo da nossa experiência. Fala-se de algo novo que, até então, era único: fala-se de uma nova dimensão da realidade que se manifesta» .
O acontecimento da ressurreição, para além da experiência íntima (a via mística) a que tantos chegaram, provem-nos essencialmente pelo testemunho apostólico. De modo particular os Actos dos Apóstolos e as cartas do Novo Testamento patenteiam-nos este testemunho singular. Mas é ainda o Papa Bento XVI quem nos ajuda a clarificar algumas impressões do encontro dos discípulos com o Ressuscitado, permitindo-nos perceber quem Ele é e qual a natureza desse encontro. Diz-nos o Papa que Jesus não é alguém que voltou à vida biológica normal e que depois teve de morrer novamente; tão pouco é um fantasma (um «espírito»), ou seja, alguém que pertencendo ao mundo dos mortos se manifesta no mundo dos vivos; de igual modo, a experiência do ressuscitado não se confunde com as experiências místicas, marcadas por «uma superação momentânea do âmbito da alma e das suas faculdades de percepção» . «A ressurreição – diz o Papa - é um acontecimento dentro da história, que, todavia, rompe o âmbito da história e a ultrapassa. (…) Sem dúvida, a própria matéria é transformada num novo género de realidade. Agora, o Homem Jesus, precisamente com o seu próprio corpo, pertence totalmente á esfera do divino, do eterno» .
É este mistério que celebramos em Cristo – a Sua ressurreição e a nossa ressurreição n’Ele. Pois, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, «Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia» (CIC. 989).


3. Viver como Ressuscitados.


Mas a nossa esperança não é apenas para o futuro; é também já para o presente; sabendo que, «regenerados pelo baptismo», fomos tornados membros de Cristo (cf. CIC. 1213). Ora, é aqui que se insere o convite de Paulo, na segunda leitura de hoje: «se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo se encontra, sentado à direita de Deus» (Col. 3, 1). Isto não significa a evasão da vida e da história. Significa, isso sim, que sabendo qual a esperança a que estamos chamados, dela vivemos já pela prática da caridade. E é o amor, que nos configura com Cristo ressuscitado, que nos torna seus discípulos e nos faz trilhar o mesmo caminho de vida eterna. Vida essa que será o definitivo para além da história de cada um de nós; que suplanta todo o material e perecível, como bem refere J. H. Newman, com quem queremos terminar: «Ó Cristo ressuscitado! Também nós temos que ressuscitar contigo; Tu escondes-Te à vista dos homens e nós temos que seguir-Te; regressaste para o Pai e temos que procurar que a nossa vida «esteja escondida contigo em Deus»… É obrigação e privilégio de todos os discípulos, Senhor, ser elevados e transfigurados contigo; é privilégio nosso viver no céu com os nossos pensamentos, aspirações, desejos e afectos, ainda que permanecendo na carne… Ensina-nos a «aspirar às coisas do alto» (Col. 3, 1), demonstrando assim que Te pertencemos, que o nosso coração ressuscitou contigo e em ti está escondida a nossa vida».

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2011.

O Papa, na sua «Mensagem para a Quaresma», coloca o acento em três atitudes fundamentais que devemos valorizar neste tempo litúrgico: renovar a graça do baptismo; meditar a Palavra de Deus; e acolher o dom de Deus mediante a Penitência. Além disso, num percurso catequético, comenta brevemente o Evangelho de cada Domingo da Quaresma. Pela sua riqueza, que tomaremos nesta caminhada cristã a que nos propomos, deixo - a seguir - toda a mensagem.
Uma Santa Quaresma.
Pe. Carlos Godinho

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2011


«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).

1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.

O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 1011). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.

Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.

2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Ef 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça deDeus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».

Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.

3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.

Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Paróquias de Luso e
Pampilhosa
Rua Dr. António Granjo, 23
3050 – 22 5 LUSO

Caro (a) Paroquiano (a)
Os meus mais amigos e sinceros cumprimentos.

Iniciado já um novo ano civil, venho, por este meio, ao contacto consigo para lhe desejar um bom ano e lhe lembrar o Contributo Paroquial. Este ano faço-o em conjunto para as paróquias de Luso e Pampilhosa, consciente de que, cada vez mais, teremos de nos abrir a novas formas de trabalho comum e de compromisso interparoquial. Isto não significa, todavia, que cada uma das paróquias perca a sua identidade ou autonomia própria, mas sim que o apelo é necessariamente à interparoquialidade.

1. Num primeiro momento, quero desejar a todos um ano de 2011 cheios das bênçãos de Deus, pleno de tranquilidade e de paz. Pesem embora as dificuldades que envolvem a comunidade nacional no seu todo, que elas possam ser minoradas pela tranquilidade interior e pela comunhão fraterna, particularmente se tal se vier a manifestar como necessidade premente, o que espero não venha a acontecer.

2. Em segundo lugar, venho recordar-lhe, como sempre tem acontecido na paróquia de Luso no início de cada ano e na Pampilhosa, no segundo semestre de cada ano (agora igualmente transferido para esta oportunidade), o Contributo Paroquial. Esta prestação anual tem como finalidade – como todos sabemos – providenciar às necessidades das comunidades paroquiais (de cada uma delas individualmente). As paróquias não têm outra forma de subsistência senão mediante o contributo de todos.

3. Porque não estamos já numa realidade de cristandade, em que todos eram cristãos e assumiam tais deveres, parece-me oportuno, depois de ouvidos alguns elementos dos Conselhos Económicos, inserir as taxas diocesanas que incidem sobre os serviços a prestar pelas Comunidades Paroquiais. Essas taxas foram definidas pelas Dioceses e apenas se aplicarão a quem não efectue o seu Contributo Paroquial. Espero que todos compreendam a necessidade e justiça de tal medida.

Reiterando os meus votos de um ano cheio de alegrias e de bem-estar pessoal e comunitário, despeço-me com a mais elevada estima.
Luso / Pampilhosa, 11 de Janeiro de 2011
O Pároco Amigo:

(Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho)

ANEXO: Ficha a preencher e a entregar junto com o Contributo Paroquial.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PROGRAMA PASTORAL 2010/2011 (Introdução)

O presente ano pastoral – 2010/2011 – será vivido, nas Comunidades Paroquiais de Luso e Pampilhosa, sob o lema: A Comunidade Vive da Palavra.
Pretende-se, essencialmente, que toda a vida paroquial, concretamente nos seus diversos grupos e movimentos, seja marcada por um renovado e sério aprofundamento Bíblico. A Palavra de Deus é a fonte da vida dos cristãos e, consequentemente, de cada Comunidade Cristã. Sentindo que ainda é muito frágil, para a grande maioria dos baptizados, o conhecimento da Palavra revelada, pela qual Deus «vem amorosamente ao encontro dos Seus filhos e conversa com eles» (DV. 21), importa fazer deste ano pastoral, se necessário prolongando-o para os próximos anos, um verdadeiro «Ano Bíblico».
Neste sentindo, corresponderemos às intuições da Igreja, expressas no Vaticano II, que sempre considerou a Sagrada Escritura, juntamente com a Sagrada Tradição, «como regra suprema da fé» (DV. 21), convidando-nos a fazer da Palavra de Deus «o fundamento de toda a pregação eclesiástica», bem como de «toda a religião cristã» (DV. 21), pois que estas se alimentam da «palavra do próprio Deus» (DV. 21). A Palavra revelada, enquanto «inspirada por Deus e escrita de uma vez para sempre» (DV. 21), é «apoio e vigor da Igreja», «fortaleza da fé» para os seus filhos, «alimento da alma», «fonte pura e perene da vida espiritual» (DV. 21).
O pároco, após alguma reflexão pessoal, entretanto partilhada com alguns dos organismos de pastoral, particularmente com as Comissões Permanentes dos Conselhos Pastorais, sentiu que esta era a hora propícia para encetar esta caminhada, logo corroborada por estes que, segundo os suas competências, representam as Comunidades Paroquiais no âmbito da corresponsabilidade pastoral.
Por outro lado, a nossa Diocese convida-nos, no presente ano pastoral, a sermos testemunhas de Cristo – «Sereis Minhas Testemunhas». Ora, só o seremos se conhecermos verdadeiramente Aquele a quem queremos testemunhar, mediante uma sincera configuração com a Sua Pessoa. É que, em última instância, o conhecimento das Escrituras significa o conhecimento de Cristo, pois que Ele é o Verbo incarnado do Pai (cf. Jo. 1, 14); ou ainda o «Verbo eterno, que ilumina todos os homens» (DV. 4), consumando «a obra de salvação que o Pai lhe confiou» (DV. 4). Ao invés, como dizia São Jerónimo, «o desconhecimento das Escrituras é o desconhecimento de Cristo»[1].
Neste sentido, o Antigo Testamento prepara a vinda de Cristo, pois que a primeira aliança com o Povo de Israel é imagem e prefiguração da definitiva e eterna aliança que Deus estabelece com todos os homens, mediante o Mistério Pascal do Seu próprio Filho (cf. DV. 14). Ou seja, «a economia do Antigo Testamento estava ordenada, mais que tudo, a preparar, a anunciar profeticamente, e a significar com várias figuras a vinda de Cristo Redentor universal e do Reino Messiânico» (DV. 15).
O Novo Testamento, por seu turno, «enquanto testemunho perene e divino» (DV. 17), manifesta a plenitude dos tempos, «em que o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade» (DV. 17), em que «Cristo instaurou na terra o Reino de Deus, manifestou o Pai e manifestou-se a Si mesmo com palavras e obras, e completou a Sua obra com a morte, ressurreição e gloriosa ascensão e com a missão do Espírito Santo» (DV. 17). E é, então, esta palavra, da Nova Aliança em Jesus Cristo, que nos congrega como Igreja (cf. DV. 17), faz de nós testemunhas (cf. DV. 17), desperta a nossa fé (cf. DV. 17) e nos faz viver a radical esperança cristã, pois que nos centra n’Aquele, o único, que tem palavras de vida eterna (cf. Jo. 6, 68).
Exposto isto, este Ano Bíblico há-de conduzir-nos a uma tríplice atitude, não fragmentada, mas articulada entre si: a necessidade de conhecer a Escritura para reconhecer o rosto de Cristo, que revela plenamente o amor do Pai; celebrar o mesmo Cristo, particularmente na actualização do Mistério Pascal – a eterna e definitiva aliança que a Escritura expõe diante de nós – e que se realiza de um modo especial no Mistério Eucarístico; impelir-nos a viver o testemunho cristão, em conformidade com os valores do Reino que Cristo anuncia e realiza na Sua pessoa, para sermos verdadeiras testemunhas do Reino já presente e que aguardamos em jubilosa esperança, até à sua plena consumação. Conhecer, celebrar e viver são, pois, os âmbitos indissociáveis de um mesmo e único percurso de aprofundamento Bíblico.
Uma vez que a destinatária desta acção é a Comunidade Paroquial e, na articulação da diversidade de carismas, ministérios e serviços que esta compreende, a pluriforme manifestação da sua identidade, definimos alguns conteúdos específicos, que intitulámos do seguinte modo: a) O cristão como testemunha de Cristo; b) a Palavra que congrega; c) a Palavra anunciada; d) a Palavra proclamada; e) a Palavra celebrada; f) a Palavra vivida; g) a Palavra que renova. Se é certo que a cada item correspondem destinatários específicos, é igualmente certo que a Comunidade Paroquial, enquanto «Corpo de Cristo» (cf. LG. 7) visível num determinado território, está implicada, na sua totalidade, em cada um deles.
Todavia, não basta a vontade de um ou de alguns – sejam o pároco, Conselhos Pastorais, Catequistas, ou de apenas alguns outros – para que estes projectos dêem os seus frutos. É necessário o efectivo empenhamento de todos, seja na concretização do que se propõe, seja na capacidade de enriquecer estas propostas com a generosidade e criatividade própria de cada um. A preocupação pastoral foi a de não acrescentar novos grupos aos já existentes, ainda que possam e devam surgir pequenas células de reflexão Bíblica ao nível familiar ou de vizinhança, mas sim de propor uma caminhada centrada na Palavra de Deus àqueles que integram já os dinamismos paroquiais. Sem esquecer, obviamente, muitos daqueles que não estando directamente ligados à vida da Comunidade Paroquial, para ela devem ser chamados e cativados, na descoberta profunda da sua identidade de baptizados, em ordem a uma assunção da verdadeira e frutuosa vida cristã. Só assim a Paróquia se torna verdadeiramente missionária, correspondendo à primeira obrigação que Cristo confiou aos seus discípulos - «Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt. 28, 19 – 20).
Como recursos essenciais para a caminhada que agora se propõe, sugerimos a leitura e reflexão dos seguintes elementos: a Bíblia Sagrada; a Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina – «Dei Verbum» – do Vaticano II; e o Curso de Iniciação à Leitura da Bíblia, da autoria de «La Casa de la Bíblia», traduzido pelo Pe. Idalino Simões e publicado pela Gráfica de Coimbra. Ao longo do ano, sempre que se justificar, outros subsídios irão sendo propostos, particularmente algumas publicações dos Franciscanos Capuchinhos, cujos materiais podem ser de inestimável ajuda à caminhada que nos propomos.
Muito embora estejam aqui presentes as aspirações essenciais do plano pastoral para este ano, acrescem-lhe, ainda, outras acções propostas pela Conferência Episcopal e pela recente visita do Papa Bento XVI a Portugal. A seu tempo equacionaremos a distribuição do documento Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal, da Conferência Episcopal Portuguesa e os textos das homilias e discursos do Sumo Pontífice, aquando da sua visita ao nosso país. Anuímos, assim, ao convite que nos é dirigido pela Igreja em Portugal e igualmente veiculado pelo nosso Bispo, no programa pastoral da Diocese para o ano em curso. Mas tão pouco estas propostas de reflexão se distanciam do objectivo central que agora nos é proposto. Só mediante a reflexão da Palavra de Deus adequaremos a nossa acção pastoral às necessidades presentes da Igreja, ao mesmo tempo que a palavra do Papa nos estimulará a empenharmo-nos neste caminho, como forma de assumir a nossa identidade cristã e de a testemunharmos no mundo actual.
Que o Espírito Santo de Deus, que o Senhor Jesus Ressuscitado soprou sobre os Seus discípulos (cf. Jo. 20, 22), nos abra o entendimento e nos dê a coragem de percorrer o caminho de renovação pessoal e comunitária que aqui se propõe. Sirva-nos de exemplo, nesta convicção interior, a expressão de Maria que, diante da vontade de Deus exclamou sem qualquer hesitação: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra» (Lc. 1, 38).
Também a ela, Mãe e modelo da Igreja (cf. LG. 53) confiamos as nossas intenções, na esperança de que o ano presente nos permita um verdadeiro encontro com o seu Filho Jesus Cristo, «nosso Cordeiro Pascal» (Cor. 5, 7), que por nós, amorosamente, foi imolado.


Luso e Pampilhosa, 27 de Outubro de 2010

Pe. Carlos Alberto da Graça Godinho
Pároco


OBS. Em anexo segue grelha com a programação pastoral.

[1] S. Jerónimo, Com. in Is. prol.: PL 24, 17.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Curso Bíblico

Está já disponível, nas sedes de Paróquia, o Curso de Introdução à Leitura da Bíblia, de La Casa de La Bíblia, traduzido pelo Pe. Idalino Simões e eitado pela Gráfica de Coimbra. Quem desejar adquirir deve dirigir-se às respectivas Igrejas Paroquiais.
Oportunamente farei, também, a sugestão de uma caminhada com o Evangelista do ano litúrgico que vai iniciar-se em breve - São Mateus.

Esperamos fazer uma bela caminhada bíblica o longo deste ano.

Também em breve espero publicar aqui o Programa Pastoral já apresentado às Comunidades.

Entretanto, não esuqueçamos o nosso lema para o ano pastoral: A Comunidade Vive da Palavra.
O Pároco:
Pe. Carlos Alberto Godinho

sábado, 16 de outubro de 2010

«A Comunidade Vive da Palavra!» - Ano Pastoral 2010/2011

XXIX DOMINGO COMUM
ANO C
(17.10.2010)

- A Comunidade, como se referiu já, escolheu para este ano pastoral a afirmação: «A Comunidade Vive da Palavra».

- São Paulo, na Carta a Timóteo – 2ª Leitura de hoje –, refere-nos: «Caríssimo: permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. (…) Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras» (2Tim. 3, 14. 16 – 17)

. Aqui se sublinham a importância da Escritura e da Tradição, como suportes da vivência da fé.

- Por outro lado, ainda, as duas outras leituras – 1ª Leitura e Evangelho – são um convite insistente à oração, e oração perseverante, como forma de permanecer e crescer neste mesmo dom da fé – acolhimento dos dons de Deus e compromisso com o Seu Reino.

- Como articular todos estes aspectos, aparentemente dispersos?

1 – Em primeiro lugar, cada um de nós é chamado à comunhão íntima com Deus através da oração, mediante a qual Deus nos escuta e nos fala, «numa verdadeira aliança entre Deus e o homem, em Cristo» (CIC. 2564).

. E se assume centralidade na vida cristã a celebração comunitária, mormente a Eucaristia (cf. SC 10);
. Também a oração pessoal assume carácter vital para o crescimento como cristãos.

- Mas a nossa oração pode enfermar, quantas vezes, da falta de persistência, da centralidade de nós mesmos – presos às nossas dificuldades e problemas -, incapazes de ouvir a voz de Deus.

- Ora, Deus reponde a cada um, segundo a sua condição e suas necessidades.

. E se reponde mediante a moção do Seu Espírito;
. Responde também mediante a Sua Palavra.

- Na Palavra de Deus – a Escritura – nós encontramos a perene voz de Deus, que «fala aos homens como a amigos e dialoga com eles, para os convidar à comunhão com Ele e nela os receber» (DV. 2).

2 – É assim que a Sagrada Escritura há-de assumir centralidade na vida dos cristãos – no diálogo com Deus e na fidelidade à Sua palavra.

- Por isso nos diz a Igreja, na Dei Verbum, do Vaticano II:

«A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: «A palavra de Deus é viva e eficaz» (Hebr. 4,12), «capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados», (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13)» (DV. 21).

. A redescoberta da Sagrada Escritura, como «regra suprema a da fé»;

. É hoje, para nós a «imutável palavra do próprio Deus»;

. Por isso, tem de assumir centralidade em toda a vida cristã.

- Neste sentido, continua o Concílio, na mesma Dei Verbum:

«É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legitimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus, por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (5). Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos» (DV. 25)

- Também aqui entendemos a advertência de São Paulo a Timóteo – a leitura das Escrituras não nos remete apenas para a oração, como se indica, embora deva pressupô-la;

- Mas é a referência para a toda a nossa vida cristã: «útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça» (2Tim. 3, 16).

- Ao propormo-nos viver um ano especialmente bíblico, queremos viver esta dupla dimensão: orar, na escuta da Palavra de Deus e assumir o compromisso cristão, segundo a mesma Palavra. Que o Espírito nos ilumine conceda tal graça.