segunda-feira, 11 de julho de 2011

ANO PASTORAL 2011 / 2012

Tendo em consideração que o caminho percorrido, no ano pastoral que termina, deve de ser ainda continuado; consciente que o lema proposto - A Comunidade Vive da Palavra - não se esgota, de modo algum, num ano pastoral; entendendo, pese embora a acção de alguns grupos a caminho, que é necessário novo fôlego na proposta de aprofundamento bíblico, na perspectiva da lectio divina; o pároco propõe que se mantenha o mesmo lema e se revigore a caminhada em torno da Sagrada Escritura para o próximo ano pastoral.
Deverá ser ouvido sobre esta proposta, em Setembro, o Conselho Pastoral Paroquial (que assumirá contornos interparoquiais), e atenderemos às orientações diocesanas que, no mesmo mês, nos forem comunicadas.
Três conteúdos base informarão a nossa caminhada: «aprofundamento bíblico»; «renovação espiritual com a lectio divina»; e «nova evangelização». Para esta última nos remete o Sínodo dos Bispos a acontecer em 2012, bem como os desafios já propostos pelo novo Bispo de Coimbra.
Para a caminhada a continuar, servir-nos -ão de base de trabalho a Dei Verbum, do Concílio Vaticano II; a Exortação Apostólica Pós-Sinodal A Palavra do Senhor, do Papa Bento XVI; e alguns conteúdos dos lineamenta do Sínodo em preparação. Para a acção a desenvolver retomamos os livros: La Casa de La Bíblia, Curso de Iniciação à Leitura da Bíblia (tradução do espanhol do Pe. Idalino Simões, editado pela Gráfica de Coimbra); e, do mesmo autor, O Tesouro do Escriba (até Novembro, final do ano litírgico, acompanhando São Mateus; a partir do início do novo ano litúrgico, o Evangelista Marcos).
Desejamos que esta proposta se estenda ainda a um número mais diversificado de cristãos, continuando os grupos já formados a sua caminhada. Haverá ainda a possibilidade de quinzenalmente o pároco fazer formação bíblica, tendo como instrumento de trabalho o livro referido - Curso de Iniciação à Leitura da Bíblia.
Luso/Pampilhosa, 11 de Julho de 2011
Pe. Carlos Alberto G. Godinho
Pároco

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Bem-vindo Senhor Bispo

(Clique na imagem para ampliar)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PALAVRAS DE D. VIRGÍLIO ANTUNES


PALAVRAS DE D. VIRGÍLIO ANTUNES

Domingo, 03 Julho 2011 21:45


“Anunciamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus.”

Palavras D. Virgílio no final da sua ordenação episcopal



Irmãos e irmãs
Caríssimos amigos

Quis Deus que aqui nos congregássemos como assembleia de fiéis para celebrar a Eucaristia e a minha ordenação episcopal. Da minha parte, procuro elevar até à Santíssima Trindade a minha oração de louvor e acção de graças, porque nos seus pobres servos continua a realizar as suas grandes coisas.

Sei que todos vós aqui presentes, e muitos outros que nos acompanham espiritualmente, manifestais a Deus a mesma gratidão e o mesmo louvor.

Agradeço, neste momento, a todas as pessoas que por esta altura ofereceram a Deus as suas preces e me tiveram presente na sua oração.

Em Setembro de 2008, quando nesta mesma Igreja assumi a reitoria do Santuário de Fátima, estava bem longe de imaginar que passado este tempo, aqui estivesse nestas circunstâncias.

Quando o Senhor Núncio Apostólico me informou da decisão do Santo Padre me nomear bispo de Coimbra, tive a tentação de pensar se era uma boa ou má opção, se o momento seria oportuno, se não deveria continuar a desenvolver os projectos em curso no Santuário... A conclusão impôs-se: é a voz da Igreja que, seguindo os trâmites prescritos, precisa de prover às suas necessidades; prometeste obediência à mesma Igreja, não podes senão dizer “sim”.

Neste momento, reafirmo a minha comunhão com a Igreja de Cristo e a minha disponibilidade para cooperar com ela na realização da sua missão de sacramento de salvação universal. Ao Papa Bento XVI manifesto a grande alegria que me confere a graça de poder colaborar com ele, de forma mais próxima, na tarefa de servir a missão de Cristo Pastor.

A partir da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios (1, 23-24), escolhi como lema episcopal a frase: Anunciamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus.

Significa que procuro centrar-me na pessoa de Jesus Cristo, cujo significado só se pode entender a partir da cruz como caminho de ressurreição e da glória.

Significa também que a linguagem da cruz, que hoje se procura calar e esconder, continua a ser o grande sinal do amor de Deus pelo seu povo em todas as situações de consolação e de sofrimento.

Significa ainda que o anúncio evangelizador precisa de continuar a fazer-se aos quatro ventos, com uma linguagem nova e acessível, mas sempre centrada no acontecimento fundante da nossa fé, o mistério pascal de Jesus Cristo.

Significa finalmente que quero exercer o ministério na Igreja com a alegria proveniente da gloriosa ressurreição de Cristo e com a humildade e espírito de entrega e serviço provenientes da sua paixão.

À diocese de Coimbra, aqui representada no Senhor D. Albino Cleto, Administrador Apostólico, e em muitos sacerdotes religiosos e leigos, quero dizer que estou disponível para ir ao vosso encontro com a confiança e a esperança fundadas em Cristo que me chamou e me envia.

Gostaria de chegar ao meio de vós como um amigo e como um irmão que comunga das vossas alegrias e tristezas, que acolhe e é acolhido na simplicidade, e que vos confirma na fé enquanto porção do Povo de Deus.

Saúdo a diocese de Leiria-Fátima, na pessoa do nosso bispo D. António Marto e do bispo emérito D. Serafim Silva. Servi-a com muito gosto durante 25 anos, e sinto-me muito grato por todas as possibilidades que me proporcionou.

Saúdo a minha paróquia de São Mamede e todos os conterrâneos que se alegram comigo neste momento. Uma palavra muito especial de gratidão para a minha família, sobretudo para os meus pais e as minhas irmãs, que nunca faltaram com o amor e o apoio necessários à vida em todos os seus momentos.

Saúdo o Santuário de Fátima, com o Reitor, os capelães, os funcionários e os voluntários. Devo dizer que foram muito bons os anos aqui passados e que foi generosa e amiga a vossa colaboração e ajuda. O mesmo posso dizer dos grupos, associações, movimentos e instituições ligados a Fátima e com os quais tive a possibilidade de contactar.

A última palavra reservo-a aos Beatos Francisco e Jacinta Marto, a quem peço poderosa intercessão junto de Deus, e a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, a quem consagro a totalidade da minha vida e o ministério episcopal que recebi.

Que eu seja todo teu, ó Mãe de Cristo e Mãe da Humanidade. Que esta pedra azul, pequenina e discreta, que figura nas minhas insígnias, signifique a tua presença materna aos pés da cruz de Cristo e de todas as minhas cruzes. Ámen.


Igreja da Santíssima Trindade, Santuário de Fátima, 3 de Julho de 2011

+ Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Nota Pastoral sobre a vinda do novo Bispo

1. A Diocese de Coimbra vai acolher o seu novo Pastor, que lhe é enviado como sucessor dos Apóstolos.
Depois de receber em Fátima, no próximo dia 3 de Julho, o ministério episcopal, último grau do Sacramento da Ordem, o Sr. D. Virgílio do Nascimento Antunes entra na igreja sua sede e começa a conduzir a Diocese no domingo, dia 10 de Julho de 2011.

2. Todos os filhos de Deus, que pelo Baptismo constituem esta Igreja particular, hão-de viver o acontecimento com sentimentos de alegria e um olhar de fé.
Assim, mais do que considerarem os títulos e dotes humanos do escolhido, a quem desejam longos anos de vida sacerdotal e as maiores bênçãos de Deus, querem agradecer ao Senhor da Messe a riqueza do ministério episcopal, deixado aos Apóstolos como fonte de luz e de graça, que ao longo de vinte séculos permanece vivo na Igreja.

3. Afirma o Concílio II do Vaticano: “Os Bispos, como sucessores dos Apóstolos, recebem do Senhor, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, a missão de ensinar todos os povos e de pregar o Evangelho a toda a criatura, para que todos os homens se salvem pela fé” (LG 24).
E mais adiante: “Revestido da plenitude do Sacramento da Ordem, o Bispo é o administrador da graça do supremo sacerdócio, principalmente na Eucaristia, que ele mesmo oferece ou providência para que seja oferecido” (LG 26).
Com tais afirmações somos alertados para entender que, se Cristo é a Verdade e a nascente da graça, o Bispo é o canal primordial para que elas corram na Igreja diocesana.
Com esse intuito deve o Bispo ser pastor, cuidando de se rodear de outros, principalmente presbíteros e diáconos, mas também fiéis leigos, que o tornem presente pela colaboração que lhes é confiada.
E tudo há-de ser realizado na unidade da caridade, tarefa primordial do pastor: “Cada um dos Bispos é princípio e fundamento visível da unidade nas suas respectivas Igrejas” (LG. 23). Cuidando sempre desta unidade, procura o “Pai de família” orientar para a convergência dos objectivos comuns a variedade e riqueza dos ministérios e carismas: religiosos, leigos consagrados, paróquias, associações, movimentos apostólicos…
Em tudo quanto faz não pode o Bispo ceder à tentação de se isolar, entregue apenas aos cuidados do seu rebanho. Antes de mais, ele é membro do colégio episcopal. Por isso lembra o Concílio: “Enquanto membros do colégio episcopal e legítimos sucessores dos Apóstolos, (os Bispos) estão obrigados, por instituição e preceito de Cristo, à solicitude sobre toda a Igreja, a qual, embora não se exerça por um acto de jurisdição, concorre, contudo, grandemente para o bem da Igreja universal” (LG 23). Que os diocesanos de Coimbra compreendam a importância basilar desta integração do seu Bispo no Colégio Episcopal, presidido pelo sucessor de Pedro, como laço fundamental, a par do Credo e dos Sacramentos, que os une a toda a Igreja de Cristo.

4. Há mil e quinhentos anos que a sucessão apostólica é assegurada nas terras de Conímbriga. Desde o primeiro nome conhecido (Lucêncio, no Séc. VI), uma sucessão de pastores, quantos deles bem ilustres e zelosos e outros perseguidos, garantem a fidelidade à Igreja de Jesus. Que isto seja novo motivo de acção de graças nesta data de regozijo.

5. O Bispo preside, em nome de Cristo, a um povo que é todo Ele povo participante da missão de Jesus, Rei, Profeta e Sacerdote. Por isso o Pastor Diocesano confia na generosa entrega dos seus irmãos, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, ao trabalho da construção do Reino na sociedade em que vivem, onde são luz e sal.
Que a vinda de um novo pastor desperte em todos os diocesanos de Coimbra este seu dever e compromisso apostólico, exercido em comunhão de fé e amor com seus irmãos.
Seja esta uma especial ocasião para rogarmos ao Senhor da Messe que mande operários para a sua Messe, a fim de que o Sr. Dom Virgílio Antunes veja no Presbitério que o rodeará, em número crescente, os colaboradores mais directos de que tanto vai necessitar.

Que a Mãe de Jesus, de cujo bendito Santuário de Fátima recebemos este Pastor, o envolva no seu manto maternal e brilhe sobre ele e sobre todos nós como Estrela da Manhã. E que Santo Agostinho, nosso Padroeiro, o acompanhe e assista ao longo de muitos anos.


+ Albino Mamede Cleto

Administrador Apostólico

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sínodo dos Bispos - «A NOVA EVANGELIZAÇÃO»

Deixo aqui a hiperligação - bem como na barra lateral - para o texto dos «Lineamenta» para o próximo Sínodo dos Bispos, sobre a «Nova Evangelização». Um instrumento de trabalho que vale a pena aprofundar em ordem ao revigoramento da primeira missão da Igreja.

A hiperligação é a seguinte:

http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html

segunda-feira, 2 de maio de 2011

II DOMINGO DA PÁSCOA (Homilia)

Uma vez que me foi apontada esta possibilidade de partilha, para posterior reflexão, deixo aqui o esquema de homilia deste II Domingo da Páscoa. O objectivo desta publicação é unicamente o de permitir uma nova reflexão sobre as linhas força do que meditámos na Celebração Eucarística.



II DOMINGO DA PÁSCOA
(01.05.2011)

• Convites da Liturgia da Palavra:
- Reconhecer Cristo («Meu Senhor e meu Deus»);
- Anunciar Cristo a todos os homens (mandato
confiado por Jesus à sua Igreja e o dom do Espírito).

• As dificuldades da fé:
- A ausência de Tomé (ausência no contexto do banquete eucarístico);
- A experiência (é Ele que se revela a cada um como a Tomé - «põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado» - num verdadeiro encontro pessoal);
- Para chegar à verdadeira profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus»);
- A bem-aventurança proclamada por Jesus: «Felizes os que acreditam sem terem visto».

• A missão da Igreja:

- Sagrada Escritura: «Assim como o Pai Me enviou, também eu vos envio a vós. Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”».

- Concílio:
. Carácter missionário da Igreja:
«A Igreja existe para dilatar o Reino de Cristo a toda a terra, salvar todos os homens e ordenar o mundo inteiro para Cristo. Toda e qualquer actividade da Igreja ou dos seus membros, destinada a obter estes fins, chama-se apostolado: a vocação cristã, por sua própria natureza, é vocação ao apostolado. A Igreja é como um corpo vivo no qual cada membro não pode ficar parado, mas participar activamente segundo a sua função e capacidade. Por isso, qualquer membro da Igreja que não contribua para o seu crescimento, não é útil á Igreja nem a si mesmo» (AA. 2).

«Como a Igreja particular deve representar o mais perfeitamente possível a Igreja Universal, tenha consciência de que ela também foi enviada àqueles que, não crendo em Cristo, vivem com ela no mesmo território, para que, pelo testemunho de vida de cada um dos fiéis e de toda a comunidade, seja um sinal de orientação para Cristo» (AG. 20).

. Carácter missionário de cada cristão: «Cada discípulo de Cristo participa na responsabilidade de espalhar a fé» (LG.17); «O apostolado dos leigos é participação na própria missão salvífica da Igreja; são todos destinados pelo Senhor a este apostolado ao receberem o Baptismo e a Confirmação» (LG. 33).

- Convite da Igreja Particular: «Sereis minhas testemunhas» - «todos serão sujeito e destinatário desta palavra evangélica, os jovens e as crianças, os adultos e os idosos, os letrados e os simples, os leigos e também os sacerdotes e consagrados» (Programa Pastoral 2010/2011).

domingo, 1 de maio de 2011

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI NA BEATIFICAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Átrio da Basílica Vaticana
Domingo, 1° de Maio de 2011



Amados irmãos e irmãs,

Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!

Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos connosco através do rádio e da televisão.

Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.

«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.

Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o facto de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Actos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).

Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-baptizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De facto, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1 Ped 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.

Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).

No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: “A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio”». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado». E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.

Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milénio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança». Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.

Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.

Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amen.